27 de abril de 2012

Cobertura jornalística de um homicídio



Ir até a cena de um crime, ver sangue, muitas vezes familiares chorando em volta: tudo isso faz parte da cobertura de um homicídio. Quero deixar claro: não gosto de cobrir esse tipo de pauta, mas se tiver que ir encaro numa boa. 

Minha primeira pauta assim foi há um ano em Pedregulho (SP). Um lavrador matou sua mulher porque na cidade falavam que ele era ‘chifrudo’. O assassinato aconteceu na casa dos pais da jovem, que quando foi morta tinha 27 anos e era mãe de um garotinho de um ano e meio.

Na cozinha havia muito sangue. Quando não preciso ver, eu prefiro nem olhar para evitar pesadelos à noite. (Sim quando vejo algo que me impressiona eu tenho pesadelos horríveis). Mas pelo pouco que vi da cena do crime, ela foi morta na cozinha da casa. Sangue pelas paredes, armários, pia, geladeira e mantimentos.

Muitos vizinhos se aglomeraram em volta da casa, que foi isolada pela Polícia Militar. Quando cheguei achei uma situação desconfortável, mas depois fui me ambientando e fiquei ainda mais tranquila quando soube que o suspeito tinha sido preso.

O pior de tudo foi entrevistar a mãe da garota morta. Que tristeza, estava desolada. Fui com jeitinho e quase chorei ao ver as lágrimas de uma mulher castigada pelos problemas, pelo trabalho e pela condição precária de vida. E essa mesma vida já desgraçada havia lhe pregado mais uma peça.

Quando cheguei à redação respirei fundo e escrevi. Sem nenhum problema. Mas quando cheguei em casa pensei em tudo que vi e ouvi naquela pauta, fiquei um tanto ‘bolada’, mas depois passou com o tempo.

Há alguns meses soube que o ex-marido ‘chifrudo’ pegou quatro anos de prisão e que a minha matéria havia sido citada no julgamento como um relato verdadeiro de tudo que aconteceu no dia. Fiquei feliz pela lembrança, feliz pela condenação, mas triste por me lembrar de que um menino de apenas três anos não tinha mais mãe e o pai estava preso.

Realidade, cotidiano...isso não é normal, mas infelizmente acontece muito mais do que nós imaginamos.



25 de abril de 2012

Abraji abre inscrições para o 7º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo



Aos jornalistas ou ainda estudantes segue uma dica pra lá de boa. Já estão abertas as inscrições para o 7º Congresso da Abraji, que será realizado em São Paulo entre os dias 12 a 14 de julho de 2012. O encontro, feito por jornalistas para jornalistas, terá mais de 130 palestrantes.

Os principais temas serão cobertura de eleições municipais, jornalismo multiplataforma, direito de acesso a informações públicas e megaeventos esportivos, em especial Copa 2014 e Olimpíada 2016. Há ainda painéis sobre pré-sal, aquecimento global, narcotráfico, uso de câmera escondida e muitos outros temas.

Grandes nomes do jornalismo brasileiro como Eliane Brum, Juca Kfouri, Elvira Lobato, Míriam Leitão, Eduardo Faustini, Roberto Cabrini, Dorrit Harazim, Marcelo Tas, André Trigueiro, Lourival Sant’Anna, Fernando Mitre e Sérgio Dávila estão confirmados na programação. Também participam os integrantes da diretoria da Abraji e convidados internacionais vindos dos Estados Unidos, Inglaterra, Argentina, Paraguai, México, Colômbia e El Salvador.

As inscrições para o Congresso são limitadas e devem ser feitas on-line. Cada participante escolhe as palestras a que quer assistir no ato da inscrição. Até 13 de maio, os preços serão promocionais.

Serviços

7º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo
Quando: 12, 13 e 14 de julho de 2012
Onde: São Paulo - Universidade Anhembi Morumbi - campus Vila Olímpia - unidade 7 (Rua Casa do Ator, 275)

23 de abril de 2012

Cobertura jornalística em velório e/ou enterro: situação difícil



Durante a graduação de jornalismo os estudantes aprendem muitos macetes para que na prática consigamos fazer nosso trabalho sem muita dor de cabeça.

O problema é que nós não aprendemos como nos portar nas mais variadas situações do dia a dia de um repórter. Por exemplo: como entrevistar uma mãe que acabou de perder seu filho em um acidente ou como cobrir o velório de um jovem que foi assassinado na noite anterior.

Essas questões são algumas das que tenho dificuldade em lidar. Sei que enquanto repórter preciso ir até o velório ou enterro, observar, anotar e depois entrevistar, mas é uma situação tão estranha que me sinto fortemente desconfortável.

Na última sexta-feira, dia 20, fui colocada numa situação assim. Um rapaz de 27 anos foi assassinado com duas facadas após sair de uma festa em Restinga. Cheguei ao velório com um único intuito, colher informações com alguém da família sobre o homicídio.

Por quase uma hora e meia acompanhei o velório seguido do enterro. Participei do cortejo, rezei e chorei, por alguns instantes me esqueci do motivo que havia me levado ali, a reportagem.

Passado as emoções, fui eu, meu caderno, minha caneta e o gravador enfrentar o maior problema daquele dia: esquece meu desconforto e tentar uma entrevista. Deu certo. Falei com o irmão da vitima, mas sabe aquela entrevista que tanto o entrevistado quanto o entrevistador ficam com a voz embargada e sem saber o que dizer um ao outro?

A situação era bem essa. Depois de breves palavras, ele foi embora junto com a mãe que estava desolada, e eu segui de volta a minha rotina de jornalista, que eu sei, tem dessas coisas. 

20 de abril de 2012

Fazer o que gosta é mais que importante


CADÁVER - Corpo encontrado no Jardim Aeroporto 2, em Franca


Fazer o que a gente gosta é bom demais né? Ganhar para isso é melhor ainda.

Por duas semanas fiz um freela em um jornal impresso na editoria policial. A que eu mais gosto em um jornal diário. Muitos factuais aconteceram nesse tempo, reencontrei muitas pessoas, reafirmei fontes, fui bem recebida por muitos, outros fizeram cara feia.

Houve prisão de traficante, apreensão de drogas, corpo encontrado, homicídio, lesão corporal, entre outros factuais que movimentaram a página de polícia e a minha vida nessas duas semanas.

Me sinto feliz em ter feito, pelo menos por um pouco, uma das coisas que mais gosto, repórter policial. Costumo dizer, que mesmo sendo perigoso e sombrio, é a área mais real do jornalismo. É a nossa realidade, nua e crua que deve ser retratada da forma que aconteceu, sem precisar omitir nenhum fato por conta de parcerias comerciais ou algo do gênero.

Jornalismo policial te instiga, te ensina, te coloca na linha perigosa. Fica quem aguenta e consegue segurar bem o rojão.  

Imagem: Wilker Maia

18 de abril de 2012

Dica de leitura 8: Transformando Suor em Ouro



Poucos poderiam imaginar que ali, sentado no banco de reservas da Seleção Brasileira de Vôlei, atento a tudo, estivesse sendo gerado o maior técnico da história do voleibol brasileiro e um dos maiores símbolos de liderança do Brasil: Bernardinho.

Quando vai a empresas dar suas palestras, a razão dos aplausos frequentes é uma só: as lições do Bernardinho se aplicam a qualquer setor da atividade humana. Ele se tornou aos poucos o símbolo da liderança moderna. Democrático, franco, aberto, mas seguro no momento de decidir.

Com frases de efeito e de motivação, o livro “Transformando Suor em Ouro”, foi escrito pelo próprio Bernardinho. É uma leitura muito dinâmica e motivacional.

Leia, vale a pena! 

16 de abril de 2012

Alunos do Uni-Facef realizam 1º Desafio dos Administradores



Como complemento da grade curricular do curso de Administração, alunos do Centro Universitário vão realizar no próximo dia 20 o 1º Desafio dos Administradores. O evento vai acontecer das 8 às 17 horas no Acampamento Toca do Lobo, à caminho de São José da Bela Vista, pela Rodovia Fábio Talarico.

Segundo um dos organizadores do desafio, Diogo Cardoso, o objetivo é proporcionar aos participantes uma chance de superar seus limites. “Visamos oferecer às pessoas a chance de superar os seus limites por meio de desafios físicos e intelectuais. Aumentar o desempenho administrativo dos alunos e a inclusão social da Melhor Idade, recreação educacional com as crianças, buscando soluções inteligentes, inovadoras e criativas, para fortalecer o potencial competitivo, despertando ainda, motivação, entusiasmo e otimismo, para revigorar a sua energia física e mental”, argumentou Diogo.

Durante o 1º Desafio haverá provas de superação de limites entre todos os alunos, professores e comunidade, também recreação com a Melhor Idade e crianças envolvendo o lado social e sustentável. Haverá ainda apresentações musicais e peças de teatro.

A consciência ambiental também estará em pauta. Todo o lixo reciclado e recolhido no acampamento será doado para uma instituição. Todos os participantes poderão plantar árvores no local com as crianças para estimular a conscientização e importância da preservação do meio ambiente.

Para participar das provas e da trilha o valor é de R$25. Mais informações podem ser obtidas pelo email de Diogo Cardoso diogopedrezzi@yahoo.com.br. 


13 de abril de 2012

Dica de leitura 7: Os últimos passos de um vencedor



O experiente repórter José Roberto Burnier acompanhou de perto os cinco últimos anos do ex-vice-presidente da República. Nesse período, estabeleceu uma relação de amizade e confiança com José Alencar, convivendo mais com ele, seus familiares e médicos que com a própria família — no momento de sua morte, Burnier era o único jornalista dentro do Hospital Sírio-Libanês e foi o primeiro a anunciar seu falecimento, em rede nacional, quando a emoção precisou ser controlada, e o repórter então prevaleceu sobre o amigo e admirador.

O livro é uma lição sobre ética jornalística, história, envolvimento com entrevistado, postura profissional e admiração.

O livro reconstrói, a partir de depoimentos do próprio Alencar e de vasta pesquisa, o vitorioso caminho percorrido pelo garoto pobre que se tornou empresário bem-sucedido e vice-presidente da República.

É uma história linda, mas dá pena de ter descoberto o homem incrível que foi José Alencar, apenas depois que ele morreu.